O parto da reforma eleitoral
Aprovada pela Câmara no início do mês, a já restrita reforma eleitoral corre o risco de não valer para as eleições de 2010. E tudo porque os senhores senadores estão muito ocupados com o seu divã e/ou confessionário, na tentativa de limpar a desgastada imagem diante da opinião pública. O que isso significará para a imagem do Senado nem vale a pena comentar. Eles não estão preocupados. Só vão pensar mais tarde, quando forem cobrados. Mas para as eleições certamente significará que estaremos mais atrasados ainda do que em 2008. Pior: mais atrasados do que em 2006. Isso do ponto de vista da comunicação, porque do restante já nem se fala.
Não que o uso pleno da Internet e suas múltiplas ferramentas vá ser capaz de definir resultados. Mas quem não souber utilizá-las certamente ficará distante de um público cada vez mais importante e difícil: os jovens, principalmente os bem jovens, que vão votar pela primeira vez, e há muito vivem em um mundo com outra linguagem. Quem não falar a língua destas gerações não conseguirá atrair sua atenção, muito menos convencê-las a votar desta ou daquela maneira.
Mesmo que a reforma, do ponto de vista da comunicação, tenha muitos defeitos e falhas, representa um avanço considerável. Tudo bem que os deputados ainda não entenderam a Internet e ache que ela não passa de uma mídia como a TV e o rádio – como se houvesse, inclusive, uma única Internet. Melhor isso do que ficar sem ela. E ninguém que tenha um mínimo de seriedade política pode admitir que o Brasil ande ainda mais para trás na comunicação política. O país aguarda ansioso por mais esta decisão dos nobres senadores.
Postado por Malu Oliveira
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