A mídia não continuará a ser, por muito tempo, o filtro pelo qual todas as notícias devem passar
Em artigo publicado esta semana no canal Blogs and stories do site americano The Daily Beast, até o presidente da CBS Digital Media, Larry Kramer, admitiu o que está nas ruas e em discussão na Internet: o Twitter e os blogs tiraram o privilégio da mídia de ser o filtro sobre o que a população deve ou não saber e se deve ou não ser informada sobre determinado assunto. Mesmo que muitas vezes as fontes das informações divulgadas por estes meios não sejam fidedignas, não há como impedir que as informações circulem amplamente – e que aos atingidos não resta alternativa a não ser negar ou admitir o que foi divulgado como fato.
Em seu artigo, Larry Kramer cita como exemplo a notícia internacional da semana: foi o Twitter a grande fonte de informação sobre o que estava acontecendo no Iran, e não as agências americanas de notícias. E lembra que, internamente, a demissão do treinador de um time de beisebol circulou primeiro pelas mãos de um adepto do Twitter antes mesmo de ser comunicada pelo time.
Em tempos de discussão sobre o futuro dos jornais – e no Brasil o dos próprios jornalistas, com o fim da exigência de diploma para o exercício da profissão – , vale acompanhar com atenção o que se debate sobre este tema internacionalmente e refletir sobre os prós e os contras desta revolução no modo de distribuir notícias.
Haverá ganhadores e perdedores em todos os lados. Por um lado, a irresponsabilidade com que hoje se dissemina informações e opiniões pela Internet pode ser um problema para as reputações e a qualidade do que é consumido por crianças e jovens. Por outro, informações e opiniões que a mídia considera irrelevantes, mas que têm importância para determinadas comunidades ou governos podem passar a ser conhecidas, em vez de descartadas como acontece hoje.
Trata-se, sem dúvida, de um assunto que já vem rendendo há algum tempo e que assim continuará. O importante é que este debate se amplie e que todos dele participem. O Blink lança aqui uma chamada para a discussão do tema, especialmente no que se refere à comunicação pública e institucional. Participe. Comente este post.
Lei a íntegra do artigo de Larry Kramer: The media can profit from twitter´s big week
Postado por Malu Oliveira
Youtube
Twitter
Facebook
Google +
Webmail
Intranet
É um tema sem dúvida, relevante. É uma forma de opiniões de que outra forma não seriam ouvidas, poderem se expressar, como no caso recente do Irã, mas é preciso se debater, uma forma de uso ético e responsável também. Parabéns, pelo Post!
Existe uma mudança qualitativa em curso na comunicação pela Internet. Poderia ter acontecido antes, pois a internet já existe há 15 anos, mas está acontecendo agora quando as transformações quantitativas, tanto em volume de usuários como em avanços tecnológicos, dispararam o gatilho da mudança.
A mudança aponta para uma espécie de liquefação da liberdade de opinião, onde todos falam e são ouvidos ao mesmo tempo. O direito potencial oferecido pela democracia de exprimir opiniões torna-se líquido, quase que compulsório na internet.
Mas, ao contrário das aparências, o Orkut ou o Twitter não simbolizam uma vitória da opinião individual, ou mesmo do somatório delas. Esse movimento não tem como protagonista o indivíduo de forma geral, mas apenas alguns poucos deles. Acreditar que a Internet direciona ao indivíduo em geral o protagonismo da comunicação é um erro. Seria uma visão utópica da liberdade de expressão.
A impressão inicial é de caos, mas existe uma clara ordem nesse estado, uma ordem de caráter político.
A maior parte dos internautas não participa de debates ou emite opiniões, é uma massa estática que continua vendo TV e lendo jornal. Uma segunda parcela, um grupo intermediário, 10 ou 20% do total, tem um comportamento receptivo; opina, propaga, mas não gera nenhuma idéia nova. Apenas uma pequena parcela opina, propaga e, principalmente, gera opiniões. É fácil perceber esse movimento analisando o Orkut e a dinâmica de suas comunidades. Algo parecido acontece também com o Twitter.
Ora, mas isso corresponde ao modelo clássico, leninista, de comunicação e como ensina Lenin, os esforços de uma política de comunicação num ambiente como este devem ser direcionados para provocar um movimento ascendente, ampliando o grupo intermediário com pessoas que estão estáticas, fazendo aqueles que apenas escutam opinarem e influenciando os formadores de opinião do topo da pirâmide.
Uma política eficiente, portanto, deve atuar no todo e não apenas na parte mais elevada, nos formadores de opinião.